Demora a se acostumar com as pessoas ao redor, com os lugares que frequenta e até mesmo as cidades onde mora. Ás vezes ela vivia vivia vivia e morria sem se acostumar. Nascia de novo em outra cidade. Não se podia escolher.
Têm disso: de nascer e viver de vez em quando. Existem seres humanos que habitam o mundo mas, não conseguem nascer. Tem outros que somente após 20 ou até mesmo 50 anos é que vão nascer em si e se dar conta de viver, ter fome de vida.
Ela acha que todos deviam ter fome de vida, nascendo ou não. É como se estivessem ensandecidos para sair da casca; lutando o tempo todo pra sair do casulo. Isso pra ela era sede de vida. Devíamos sempre viver querendo quebrar a casca. Destruir para construir. Ir. Ir. Ir. Ir.Ir. Ir. Ir. Ir.
Ela ia, no tempo dela. Piscando os olhos demoradamente, pra que as íris não secassem e queimasse a visão do descobrimento da vida.
Ia voando admirando o sol, a liberdade do cabelo bagunçado ao vento, as unhas vermelhas, as peles bronzeadas, os gatos no telhado. Admirava o movimento das nuvens, as pessoas que por ela passavam, horas ficavam, outras piscavam e as mais preciosas - duravam.
O tempo dela era mesmo diferente. Sabia ensinar os outros a gosta-la, a ama-la. Com calma e paciência. As vezes nem tanto. As vezes deixava era pra lá, sorridente.
Vivia, destruía, nascia.
Amava.

1 convincentes:
Saber viver está entre as coisas mais difíceis do mundo.
Talvez pelo fato de não ter manual ou forma de dizer que sim ou não. O saber viver está dentro de nós, no centro de algum labirinto que passamos metade (ou mais) da nossa vida procurando.
Alguns são espertos e ao invés de se perder nos caminhos, simplesmente seguem em frente. Esses acham o segredo de saber viver mais rápido. ;)
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